segunda-feira, 24 de abril de 2017

RESILIÊNCIA NA ARTE DE ENSINAR



O Profissional e suas Competências Pedagógicas

Exercer a profissão de instrutor de trânsito não é nenhuma tarefa fácil. Primeiro, pelo processo que precisa enfrentar (a via-crúcis) e segundo, pelo investimento para se capacitar.


Mas vamos lá! Vamos sistematizar esse drama.

Para que uma pessoa seja um profissional instrutor de trânsito, precisa pensar no investimento que irá aplicar para exercer a nova profissão. Em média, com o valor do curso, lanche, almoço e passagem irá desembolsar uns 2 mil reais. Não é nada baratinho para se capacitar num curso de 180hs. Ainda preciso ressaltar que para fazer o curso basta a categoria B (dois anos no mínimo), agora, para exercer a profissão, categoria D (um ano no mínimo). Então, além do investimento acima citado, há que mudar de categoria que em média requer mais 1500,00 (um mil e quinhentos reais). Chegando a uma soma (nada modesta) de 3500,00 (três mil e quinhentos reais) no mínimo, para fazer o curso e estar habilitado.

Desembolsado o valor que será aplicado no curso e decorrer dele, mudado de categoria ainda há que esperar 1 ano (um) para poder ser credenciado pelo órgão (Detran) para poder trabalhar e ganhar seu primeiro soldo na nova profissão.


Falando assim até parece simples né? Mas só parece, por que aí que começa a via-crúcis. Pois, em tese, apenas fazer o curso (estar capacitado), ter 1 ano de categoria D seria suficientemente legal para exercer a profissão. Correto? Correto. Mas, vamos ver as entrelinhas.

Imagina um bacharel em Direito. Fez tudo que precisava para bacharelar, passou em todas as etapas. Agora ele é um bacharel em Direito. Pode advogar? Não. Precisa de um exame da Ordem. Tudo bem, ele faz e é aprovado. Agora ele não é apenas um bacharel, agora ele é um advogado e há um campo todo em sua frente para ser conquistado. Acontece que agora vem as especializações, experiências, cursos, prática profissional, macetes, leituras, pesquisas, et caetera. Et caetera. Et caetera.

Então veja que somente o desbravar um bacharelado, não o imputa ser um grande profissional, o bacharelado é o inicio de uma grandiosa carreira, ainda cabe as exigências profissionais e pessoais e o mercado procura esse tipo de profissional. Isso é exigido em toda profissão, em todo profissional, ou pelo menos deveria. Ninguém quer um advogado que não saiba advogar, nem nós e nem eles.

Mas, voltando ao instrutor de trânsito, uma profissão nova, recente e que ainda estamos nos adaptando a ela e me parece que ainda o instrutor de trânsito é tratado como um “bico”, como um “quebra galho”, como apenas um instrutor prático ou teórico e ainda há muitos instrutores que se vêem como "biqueiros", como os "quebra-galhos" de muitas autoescolas.

Mas, vamos corrigir os termos.

Primeiro ponto: A profissão do instrutor de trânsito foi regulamentada pela lei 12.302/10. 

Assim há na lei os direitos e deveres. O primeiro acerto é que ela trata de INSTRUTOR DE TRÂNSITO. Não pensa e nem mencione "instrutor prático ou teórico", isso não existe mais desde 2010, somos instrutores de trânsito. Por conta disso, os empresários donos de CFCs, os sindicatos de classe, os órgãos (Detrans) precisam urgentemente mudar seus conceitos em relação a essa grandiosa profissão.

Segundo: Qualquer um pode ser instrutor de trânsito, basta passar pelo rito das exigências do artigo 4º e ser registrado no órgão, segundo o artigo 2º da lei 12.302/10. Mas, ser um profissional instrutor de trânsito diferenciado e comprometido, isso depende de um processo mais árduo, veja o caso do bacharel em Direito. Um instrutor de trânsito precisa estar habito para “instruir os alunos acerca dos conhecimentos teóricos e das habilidades necessárias,” - “ministrar cursos de especialização e similares definidos em resoluções” e “orientar o aluno com segurança na aprendizagem de direção veicular.” Ainda, segundo o artigo 25 e inciso I da resolução 358/10 do Contran, o instrutor de trânsito, deve ser capaz de: transmitir aos candidatos os conteúdos teóricos e práticos exigidos pela legislação vigente; tratar os candidatos com urbanidade e respeito.

Veja que há uma necessidade de valorização profissional por parte dos empresários e a uma necessidade de autoestima por parte dos instrutores para que desenvolvam e se auto-gerencie suas competências e habilidades.

Resiliênia profissional e pedagógica

Imagine um profissional que passa o dia todo ensinando, instruindo, orientando, educando, corrigindo, tendo que desenvolver certas competências que não estavam no script? Tudo para o melhor ensino e desenvolvimento do aluno. Tendo que muitas das vezes fazer o papel de psicólogo, pedagogo, terapeuta, mediador, orientador de conduta, etc.

Em 2011 li uma pesquisa que dizia que “1Resiliência é a palavra da vez no meio de recursos humanos. Tanto que consultores e coaches já apontam a competência como a mais importante no mundo do trabalho, no século XXI.

Resiliência é a a forma que o profissional usa as adversidades para melhorar seu desempenho na atuação de seu trabalho. Qual profissional como o instrutor de trânsito para falar em resiliência?  que dá aula no sol das 13hs e que precisa lidar com todo tipo de personalidade?

Ser instrutor de trânsito, é mais que ser capacitado em um curso e ser registrado em órgão e estar vinculado a um CFC, ser instrutor de trânsito é ser um profissional resiliente. Ele deve saber utilizar os métodos de ensino corretamente e aplica-los de forma eficiência e ainda trabalhar de maneria eficaz.

O instrutor de trânsito não é o "pai da pátria" e nem o "salvador do mundo", mas é o primeiro a ter um contato direto com quem amanhã estará dirigindo na sua rua, no seu bairro, sendo o motorista do transporte escolar de seu filho, do ônibus que te levará ao trabalho ou do táxi que você utilizará e por que não do UBER que te levará até ao aeroporto?


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