sexta-feira, 18 de outubro de 2013

CULTURA DA VELOCIDADE

Vivemos na cultura do aqui é agora. É tudo muito FAST. É tudo muito QUICK. É tudo sempre SPEEDY.

Assumimos a identidade do nosso vizinho e gostamos. 

Rapidez não é somente na caminhada matinal, no Cooper do atleta ou no almoço do trabalhador, que precisa ser ligeiro ou pra ir em bancos pagar conta ou "tirar" o famoso cochilo do almoço, que é entre a "peãozada", um ato quase sagrado.

Rapidez faz parte da cultura capitalista; onde tudo é muito corrido. Bolsa de valores, entregas de encomendas, soluções de problemas, gestão de tempo, afinal de contas, tempo é dinheiro.

Essa cultura em que a sociedade vive e aceita naturalmente, levou aos mais diversos riscos imediatos e outros mediatos, tais como as doenças crônicas  relacionadas ao estresse, obesidade, depressão, sentimento de inferioridade, enfim, doenças psicossomáticas diversas e até mesmo as doenças de cunho comportamental.

As mazelas do comportamento, levou o homem moderno a pensar que velocidade faz parte dele. É preciso correr pra sobreviver!!

Quando ouço os Engenheiros do Havaii cantando "Cento e dez, cento e vinte, cento e sessenta, só pra ver até quando o motor aguenta."  A sensação efêmera de controle, que  no final da poesia  diz que restou apenas "a sombra do sorriso que deixei... numa das curvas da highway."  Deixando a certeza  que não irá mais voltar.

Na música, As Curvas de Santos, de Roberto Carlos diz que pra conhecê-lo deveria entrar no veículo e andar na estrada com ele e tal pessoa iria pensar que ele não gosta nem dele mesmo por conta da alta velocidade.

Essa velocidade é resultado de uma suposta solidão, isolamento ou até mesmo de uma depressão quando diz que:

"Só ando sozinho
E no meu caminho
O tempo é cada vez menor...
Preciso de ajuda!
Por favor me acuda!

Eu vivo muito só..."

Seu mundo, sua vida ou sua forma de viver é o motivo de sua velocidade, de seu isolamento, de sua solidão, o que faz com que ele acelere mais e mais

"Se acaso numa curva
Eu me lembro do meu mundo,
Eu piso mais fundo.
Corrijo num segundo.
Não posso parar!"

Toda essa velocidade e aceitação do perigo, que são resultados de seu isolamento e solidão poderá ser modificado e então voltar a ser um homem feliz,  curado e de um comportamento socialmente correto se o suposto vazio (amor) for preenchido novamente.

Mas se o amor que eu perdi,
Eu novamente encontrar...
As curvas se acabam

A velocidade está associada a dois comportamentos:

O primeiro de poder e ter controle desse suposto poder. 
O segundo de solidão e menosprezo da vida por razões variadas.

Tal cultura, que foi negligenciada anos a fio, pela engenharia automobilística, pela fiscalização do Estado e cultuada pelas músicas que incentivam a velocidade como se fosse o ápice da vida humana precisa ser urgentemente adequada a realidade.

ACIDENTES COM EXCESSO DE VELOCIDADE MATA OU DEIXA GRAVEMENTE LESIONADO